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Sou Linda!

Page history last edited by Inpi 10 years, 5 months ago

Sou Linda!

Fada Oriana no Sapo

 

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Sou Linda!

 

 

     Cá fora a tarde estava maravilhosa e fresca. A brisa dançava com as ervas dos campos. Ouviam-se pássaros a cantar. O ar parecia cheio de poeira de oiro.

     Oriana foi pela floresta fora, correndo, dançando e voando, até chegar ao pé do rio. Era um rio pequenino e transparente, quase um regato e nas suas margens cresciama trevos, papoilas e margaridas.

     Oriana sentou-se entre as ervas e as flores a ver correr a água. E ouviu uma voz que a chamava:

     - Oriana, Oriana.

     A fada voltou-se e viu um peixe a saltar na areia.

     - Salva-me, Oriana! – gritava o peixe. – Dei um salto atrás de uma mosca e caí para fora do rio.

     Oriana agarrou no peixe e tornou a pô-lo na água.

     - Obrigado, muito obrigado – disse o peixe fazendo muitas mesuras. – Salvaste-me a vida e a vida de um peixe é uma vida deliciosa. Muito obrigado, Oriana. Se precisares de alguma coisa de mim, lembra-te que eu estou sempre às tuas ordens.

     - Obrigada – disse Oriana –, agora não preciso de nada.

     - Lembra-te da minha promessa. Nunca esquecerei que te devo a vida. Pede-me tudo quanto quiseres. Sem ti eu morreria miseravelmente asfixiado entre os trevos e as margaridas. A minha gratidão é eterna.

     - Obrigada – disse a fada.

     Oriana ficou a olhar para o peixe, muito divertida, porque era um peixe muito pequenino, mas com um ar muito importante.

     E quando assim estava a olhar para o peixe, viu a sua cara refletida na água. O reflexo subiu do fundo do regato e veio ao seu encontro com um sorriso na boca encarnada. E Oriana viu os seus olhos azuis como safiras, os seus cabelos loiros como as searas, a sua pele branca como lírios, e as suas asas cor do ar, claras e brilhantes.

     - Mas que bonita que eu sou – disse ela. – Sou linda. Nunca tinha pensado nisto. Nunca me tinha lembrado de me ver! Que grandes que são os meus olhos, que fino que é o meu nariz, que doirados que são os meus cabelos! Os meus olhos brilham como estrelas azuis, o meu pescoço é alto e fino como uma torre. Que esquisita que a vida é! Se não fosse este peixe que saltou para fora da água para apanhar a mosca, eu nunca me teria visto. As árvores, os animais e as flores viam-me e sabiam como eu sou bonita. Só eu nunca me via!

     Oriana estava maravilhada com a sua descoberta. Debruçada sobre a água, não se cansava de se ver.

Sophia de Mello Breyner Andersen, A Fada Oriana, Editora Figueirinhas

 

http://fadaoriana.blogs.sapo.pt/ 

 

 

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